quarta-feira

Papel sobre a grama

Sonho de um perdedor.

Conhece um amigo antigo escritor que lhe ensinou a pensar.

A grama verde e molhada, sobre ela papéis brancos.

Com eles se foi a felicidade e algo mais.

E os sonhos terminam aqui junto com as grandes árvores.

Enquanto eu trabalho eu me esqueço do mar e das coisas que não conheço, esqueço que não conheço.

A matemática da música.

O passado que me assombra nas noites, acho que a fumaça do tabaco que fumo deixou o céu nublado e os pássaros voaram para o horizonte.

Quando tudo acabar não quero mais nada.

O controle

É talvez incensurável intelectual.

Após tantos anos de retorno ao passado, e lá se diz bem, como se nunca tivesse saído do relógio.

A cerveja saia das garrafas na mesma velocidade da luz.

Já velha em sua época.

Acho que vou viver até perder o controle, já que não suporto a ausência de sentimentos.

Amor errado

Se dizem que uma pessoa só é velha quando vive do passado, quando jovem vive do futuro.

Me disseram que sou um desafio, que só uma pessoa pode me vencer mas que esteve longe e eu estive perto dela, longe da felicidade e da tristeza, por toda a parte.

Sempre estive longe por pouco junto dela.

Por pouco, louco.

E eu também sei que dizem que já não existe amor errado, já que quando um homem vê uma mulher, logo imagina a mesma nua.

Já a mulher quando vê um homem o imagina com uma roupa melhor.

Qual a matemática dos amantes?

Hoje não sonho, não amo nem choro.

As folhas eram verdes

Existem dois jeitos de ir para a cama, um é pelo coração o outro é pelas extremidades.

Acho que nenhum justifica apenas o fato de ser eu.

Minha idade e minha terra estão divididas no tempo.

A voz baixa e calma para disfarçar a ira.

E o caminhar silencioso para adormecer o dia.

As folhas verdes bem humoradas nas mãos dela.

Como o Deus feito por estatística em um papel azul.

Eu queria responder, mas ninguém tinha a pergunta.

A hipocrisia chega pelas costas e minhas mãos têm cortes.

Nesta terra onde leis são feitas pelo estado e prevalecem.

quinta-feira

A sala azul

É grande com uma mesa e três cadeiras.
A iluminação, verossimilhança da escuridão.
Em uma das cadeiras senta-se o tempo, nunca dorme,
bebe sua bebida rapidamente, em outro assento a solidão, sorve de sua bebida lentamente, não tem hora de partida, última cadeira, lá estou eu, interrogado pelos dois acompanhantes de mesa, a sala tem uma pequena janela, próximo ao teto vejo as estrelas.
Neste recinto minha alma cumpre pena.
Qual o meu crime?
Deixar a segurança do meu mundo, por amor.

Marelli

A margem

Ano após anos nossos olhos tomam sentidos da margem, há tempos a hierarquia dificulta as esperanças de quem quer chegar a melhores condições de vida.
Estes operários que se organizam por muitos outros são verdadeiros revolucionários profissionais, organizam uma nova cultura, uma cultura no terreno das exigências e necessidades.
E representam uma perpetuação históricas de uma guerra que jamais será vencida.
Nunca superam por motivos capitais.
A revolução é feita por pessoas que sabem que nem sempre o manual é antônimo de intelectual.
Conhecem onde estão as fissuras da grande corrente.
Na grande maioria os burgueses são ignorantes.
Porquê continuar assim?

Marelli

A face

Ser mais romântico com a mesma face de todos os dias, dias que as vezes durarão sessenta horas.
Com a face no escuro, sempre pensando em você e nos seus olhos em direção a lua, em rosas e beijos, nos sonhos da vida.
Sonhos vivos ou sonhos da vida.
Muito longe, lá no fim do mundo, parecendo um peixe no aquário com vistas para o mar.
Parece que sempre posso ver a sala através das paredes.
São apenas sonhos da vida expressados no que vejo.
Ninguém pode ver o fim, pois o olhar está preso, o olhar está no fim.
Sonhos ou não marcam como o fogo a direita do prazer.
O sangue as vezes parece tão gelado.
Ninguém, ninguém parece saber o que é ter a face na escuridão.
No escuro, pelo caminho que se voa nos sonhos dos quais se busca sair todos os dias.

Marelli

23 Horas

Tive um pesadelo
Tive medo e não acordei
Eram muitas correntes
Levavam-me sem direção
Sem censura
Tive forças por
23 horas
Entreguei tudo
Gostaria e vi meu sangue
Não queria morrer
A estação é inverno
Tomei um banho gelado
Um café amargo
Sentei em frente a tv
Abri uma garrafa
Conhaque
Nem toda a amargura
Do momento faria
Sair do pensamento
Aquele olhar
De amor pelo meu sangue
Que era puro
Revés de sua voracidade

Marelli